
Roll The Dice
if you’re going to try, go all the
way.
otherwise, don’t even start.
if you’re going to try, go all the
way.
this could mean losing girlfriends,
wives, relatives, jobs and
maybe your mind.
go all the way.
it could mean not eating for 3 or 4 days.
it could mean freezing on a
park bench.
it could mean jail,
it could mean derision,
mockery,
isolation.
isolation is the gift,
all the others are a test of your
endurance, of
how much you really want to
do it.
and you’ll do it
despite rejection and the worst odds
and it will be better than
anything else
you can imagine.
if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.
do it, do it, do it.
all the way
all the way.
you will ride life straight to
perfect laughter, its
the only good fight
there is.
«Eu tinha um sonho. Desde pequeno, na solidão dos edredons e nas conversas monologais com bonecos e carros com olhos, tinha traçado um projecto de vida infalível. Durante anos a acrescentar pormenores, uma mulher, filhos talvez; Paris, filmes com naves, livros com naves. Queria ser escritor ou realizador de cinema. Gostava de ficção científica. Não quero gostar, mas ainda gosto. Muito. Tinha um sonho e uma frase acabou com ele.
“Não pode ser filho. Vais ser pescador.”»

Por Teatro de Sabbath, Conspiração contra a América e O Animal Moribundo. O filme Elegy (baseado em O Animal Moribundo) também se recomenda. Daqui a uns dias publico uns apontamentos que fui tirando sobre o autor, a obra e o filme mencionado.
[Depois de uma aparatosa aterragem de avião, os passageiros saem aos poucos do aeroporto. Uns assustados, outros coxos, mas sem lhes ser dada qualquer atenção]
«-Onde é que está a comunicação social?
-Iron City não tem comunicação social.
- O quê? Passaram por aquilo tudo para nada?»
Don Delillo, «Ruído Branco»
Bêbedo, mas consciente do que lhe disse. A vida com outra pessoa leva-nos a repensar na vida que levávamos. It takes two to tango.
As hesitações devem-se sempre a preconceitos ou imagens que temos sobre o futuro que nos atemoriza. Pelo menos comigo é assim. Vivi uma semana de hesitações. Que a minha ida à capital ia ser infrutífera. Que ia ser preterido por outro concorrente e que a minha namorada ia mudar a imagem que tem de mim.
Mas, ao lado da hesitação, há a realidade que muitas vezes contraria a primeira. De facto, depois de muitas hesitações, o dia acabou por correr bem. Fui aceite para um estágio em Lisboa numa revista que sempre gostei. Comprei o Adeus às Armas, Cândido e Werther por apenas 8 euros e voltei a Faro quase intacto. Quase… é que o sucesso, ou algo parecido com isso (a vida em cidades complexas, por exemplo) transforma-nos em cães autênticos. E lembro-me sempre de Francis Bacon.
Resolve-se muita coisa na minha vida. A proximidade temporal muitas vezes não nos deixa ter uma percepção ampla daquilo que nos espera e limita-nos a capacidade de escolha e de manobra. Ainda bem.
Se viver na Argentina acordo de manhã muito cedo e tomo o pequeno-almoço a ler o Clarín. Un buen desayuno inglés y zumo de naranja (porque quando se está na argentina nem tudo pode ser chuvoso). Trabalho a partir de casa porque as palavras «Buenos» e «Aires» são false friends. De vez em quando faço uma pausa para ler Borges. Outra para escrever. Outra para moer café, beber café e fumar. Almoço um bife de vaca, aquele que já é famoso desde a Revolução Industrial. Bebo vinho do Porto e começo a sentir o rubor na cara que os portuenses sentem e que sempre sentia quando bebia vinho do Porto em Faro. Sobremesa: café e aguardente. Choro automaticamente das duas às três da tarde, pela falta que me fazem a luz e o cheiro de Faro.Trabalho e sou feliz na Argentina. Seria igualmente feliz se escrevesse em Addis Abeba ou em Lhasa. Janto o mesmo que comi no almoço. Bebo o mesmo. Fumo um cigarro de outro maço. Deito-me e sonho com Camões.